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Automedicação: suposta causa da morte de um jovem felipense

Automedicação: suposta causa da morte de um jovem felipense
Automedicação é a prática de fazer uso de medicamentos sem o acompanhamento de um profissional qualificado, de assumir todos os riscos que este ato pode gerar na saúde do mesmo. Segundo alguns levantamentos de pesquisa, de cada 10 pessoas,  pelo menos 9 já realizaram esta prática em algum momento da vida.
Não somente no Brasil, mas em países onde o sistema de saúde é mais precário, a ida na farmácia é a primeira opção para quem está apresentando algum sintoma. A falta de informação sobre os riscos é o que mais contribui para que esta prática seja cada vez mais difundida.
Qual pessoa nunca tomou um remédio sem receita após uma dor de cabeça ou febre? Ou pediu opinião a um amigo sobre qual medicamento ingerir em determinadas situações? No entanto a automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer consequências mais graves do que se imagina.
                Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINTOX), no Brasil em 2003, os medicamentos foram responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação. Levando em consideração que as subnotificações em nosso país é alarmante, esses 28% é um dado que pode estar longe da real situação.
Se você observar nas bulas de qualquer medicamento verá que o uso abusivo ou inadequado sempre vai gerar algumas disfunções à curto, médio ou longo prazo. Casos de dependência, problemas renais, cardiovasculares, hepáticos e metabólicos são os mais comuns nas automedicações.
Um dos casos que me chamou atenção neste ano de 2016, foi de um jovem de pouco mais de 30 anos, na cidade de Felipe Guerra-RN, Deomário Emanuel, conhecido como Baiano. O mesmo havia sido diagnosticado, segundo ele, com uma doença reumática após ir ao serviço de saúde à várias consultas referindo fortes dores articulares. Devido às fortes dores a sua primeira prescrição, até que se fizesse mais exames e futuras avaliações, foi uma medicação chamada Prednisona.
Devido ao alívio das dores com o uso deste medicamento o jovem passou a usar de forma frequente esta droga, sem procurar realizar um tratamento mais adequado e acompanhado por profissional habilitado. De acordo com familiares, com um uso crônico de quase 10 anos da medicação.
A Prednisona é um medicamento corticosteroide que atua como anti-inflamatório, antialérgico e antirreumático que serve para o tratamento de reumatismos, alergias, doenças dermatológicas, tumores entre outras indicações. Porém seu uso prolongado desencadeia uma série de problemas físicos e até psicológicos de dependência.
A retenção de líquidos através dos rins, como característica desta medicação, proporciona um inchaço demasiado como mecanismo de defesa do corpo no sentido de evitar a elevação da pressão arterial. No entanto este mecanismo de defesa começa a falhar com o passar do tempo gerando níveis de pressão arterial elevados e, de forma cronica, comprometendo todo o sistema cardiovascular.
Outro agravante à longo prazo é que a prednisona gera um mecanismo chamado gliconeogêneses (formação de moléculas de glicose adicional para a corrente sanguínea). De forma constante este mecanismo gera Diabetes tipo 2 no usuário cronico deste medicamento, implicando assim em todas as consequências que traz essa patologia.
Somando a agressividade que a Hipertensão Arterial e a Diabetes tem sobre os Rins, vem o fator danoso sobre o fígado, local onde a metabolização da prednisona acontece, para depois ser eliminada pelos Rins, proporcionando danos irreparáveis em ambos os órgãos.
 
 Outra ação danosa, à longo prazo, é o fato desta medicação ser imunossupressora (inibe a produção de anticorpos pelas células de defesa do organismo) deixando o indivíduo mais vulnerável às infecções. soma-se este fator à maior fragilidade que que esta droga gera na pele, com surgimento de manchas avermelhadas e abertura de pequenos ferimentos, amplia o grau de risco para infecções.
Trazendo estes agravos sobre o corpo jovem do rapaz do interior, que também ingeria álcool como forma de lazer, e sendo este também muito maléfico aos órgãos citados anteriormente, podemos fazer algumas conclusões ou suposições de que a morte deste jovem tem grande influência do uso excessivo da prednisona.
Colhendo informações de seu caso, podemos deduzir que o seu corpo edemaciado, Hipertenso, diabético, com falência renal e cirrose hepática têm estreita relação com a medicação e seu uso indiscriminado. A fragilidade da pele era apenas um dos aspectos visíveis dos danos gerados pelo uso excessivo daquele medicamento.
O uso deste caso serve apenas para alertar às pessoas que todos os medicamentos apresentam suas reações adversas, principalmente quando seu uso é desorientado e exagerado. Não queremos aqui colocar que a Prednisona não tenha ações positivas sobre determinados tratamentos, e sim relatar sobre as precauções que venham ser tomadas no uso de qualquer medicamento.
 
Deomário Emanuel
 
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